quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A Epopeia de 32

Os dias passam e lá está ela, silenciosa: a Epopeia de 32. Eu a observo e, do alto do seu silêncio, ela observa tudo. Os meninos que chegam para ficar à toa, as donas de casa apressadas pelas ofertas no comércio, os primeiros copos do Pinguim, o ‘colega’ Pedro II. Mas um dia, quente como tantos outros, noto que ela está irritada. Os dias passam e lá está ela, alvo fixo de pombos, andorinhas e outros seres alados que habitam a praça XV de Novembro. Ela já não suporta mais. Nossa combatente resolve apelar. Lança contra as aves a sua granada, testemunha fiel de tanta humilhação.

A arma passa com um petardo pela Baixada e explode nas inocentes águas do ribeirão Preto. O contra-ataque é rápido e logo a Epopeia se vê toda enlameada.
- Então é guerra?!
- Olha lá, a Epopeia falou!
- Nossa, está descendo!

Não se registrou feridos, muito menos mortos. O certo é que muitos aproveitaram para sair da choperia sem pagar a conta, ainda confusos: - Essa bebida ainda acaba comigo! A Epopeia não via obstáculos à sua frente, mas não chegou a causar grandes estragos. Logo as equipes de tevê já estavam na praça: - Estamos ao vivo no local onde a Epopeia faz o seu protesto.

E lá foi a nossa heroína, rumo à fonte luminosa, dar um fim a tanta sujeira. Foi tudo muito rápido, apesar de seu corpo colossal. Na sua volta, muitos aplaudiram, outros tantos choraram. Ela subiu e continuou imponente. Retirou outra granada de seu arsenal, ficou em posição de combate e não deu mais atenção aos burburinhos à sua volta, como sempre. (Angelo Davanço)

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