terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Para fechar o ano

"Você errou ao apostar em mim.
Quem poderia travar este diálogo?
Deus e o fracassado."
Emil Cioran

Dois mil e treze bem que poderia ir embora sem essa. Dias atrás um cidadão relatou por aí a situação difícil em que vivia uma senhora moradora de rua. Uma mulher, segundo o cidadão pagador de seus impostos, "vivendo em situação de vulnerabilidade e exclusão social, tomando chuva, dormindo ao relento e exposta a todos os demais riscos".

Tudo muito bonito, tudo dentro do clima que a época do Natal pede, até que o gentil munícipe começa a chegar ao ponto que lhe interessa, já que tal senhora "está submetendo a todos a atitudes vexatórias, fazendo todas as suas necessidades fisiológicas pelo local".

Uma afronta, sem dúvida alguma. Uma bizarrice que deveria estar em qualquer lugar, menos na bendita rua do nosso homem de bem.

E ainda tem mais. Eis que um nobre vereador resolve se solidarizar com o eleitor e promete dar um jeito na situação.

A troca de e-mails que se segue é ainda mais sintomática destes tempos bacanas em que vivemos

- Conforme contato da nossa assessoria, problema resolvido. A senhora citada não se encontra mais no local em referência. O que precisar, este vereador está a sua inteira disposição. Abraços, Feliz Ano Novo!!!

- Muito obrigado. Ficamos agradecidos pela atenção, alguém passou, conversou com ela e depois ela se retirou, juntamos os vizinhos e fizemos nós mesmos uma limpeza no local.

E para o bem de todos, do gentil cidadão, do prestativo vereador e de toda a vizinhança que se mobilizou para LIMPAR a área, tudo foi resolvido.

A senhora cagona? Ah, quem se importa com ela, não é mesmo?

Feliz 2014 para você também. (Angelo Davanço)

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